Título
original: The Power and the Form
Por J. C. Philpot (1802-1869)
Traduzido,
Adaptado e
Editado por
Silvio Dutra
"Tendo a forma de
piedade, mas negando o poder dela. Destes afasta-te." (2 Timóteo 3: 5)
Escrevendo a seu filho amado, Timóteo, Paulo nesta
Epístola lhe diz que "nos últimos dias virão tempos perigosos". Mas
por que os "últimos dias" seriam particularmente
"perigosos"? Ele diz: "Porque os homens serão amantes de si
mesmos, avarentos, fanfarrões, orgulhosos, blasfemos, desobedientes aos pais,
ingratos, ímpios", e assim por diante. Mas, os homens não foram sempre
assim? Houve alguma vez um tempo conhecido quando os homens não foram
"amantes de si mesmos, cobiçosos, fanfarrões, orgulhosos, blasfemos?"
A raiz desses males está tão profundamente assentada no homem caído, que esses
frutos devem aparecer continuamente.
Por que, então, o apóstolo deve
apontar os "últimos dias" como particularmente "perigosos",
quando os homens foram sempre como ele os descreve aqui? A razão é, "tendo
uma forma de piedade, mas negando o poder dela". Foi o que tornou os
últimos dias "perigosos"; porque os homens já não seriam como ele os
descreve neste catálogo tenebroso aberta e profanamente como antes, mas seria
coberto pela máscara da profissão. Foi isso que os tornou perigosos, isto é,
perigosos para o povo de Deus, para que não fossem enredados e enganados por
isso.
Com a bênção de Deus, com a
intenção de comunicar meus pensamentos e sentimentos nessas palavras com mais clareza
e inteligibilidade, adotarei cinco divisões principais do assunto.
Só Deus, eu bem sei, pode dar a
bênção. Tentarei mostrar-
I. O que é a piedade.
II. Qual é o poder da piedade.
III. Qual é a forma.
IV. O que é negar o poder.
V. A exortação, " Destes afasta-te."
I. O que é a piedade.
A piedade nas Escrituras do Novo
Testamento parece ter dois significados distintos. Às vezes, significa toda a
obra da graça sobre o coração; tudo o que faz um homem manifestar ser um filho
de Deus; em uma palavra, o que chamamos de "religião experimental",
com todos os frutos que a acompanham. Por exemplo, "a piedade com
contentamento é grande ganho" (1Tm 6: 6). "A piedade é proveitosa
para todas as coisas, tendo a promessa
da vida que agora é e da que há de vir" (1 Tm 4: 8). "Exercita-te na
piedade" (1 Tm 4: 7). "De acordo com o seu divino poder nos deu todas
as coisas que pertencem à vida e à piedade" (2 Pe 1: 3). "Sim, e
todos os que viverem piedosamente em Cristo Jesus, sofrerão perseguição" (2
Tm 3:12).
Mas, há outras passagens nas
quais a palavra piedade parece ter um significado mais limitado. Por exemplo,
quando o apóstolo exorta Timóteo a perseguir certas graças cristãs - "Segue
a justiça, a piedade, a fé, o amor, a paciência, a mansidão" (1Tm 6:11); a
piedade não significa a totalidade da religião experimental, mas um ramo
particular dela, ou seja, a devoção de coração ao Senhor. Assim também
encontramos o apóstolo Pedro dizendo: "Com toda a diligência, acrescentai
à vossa fé a virtude, e à virtude, o conhecimento, e ao conhecimento, a
temperança, à temperança, a paciência, à paciência, a piedade, à piedade, bondade"
(2 Pe 1: 5-7). A piedade é aqui mencionada como um fruto distinto da obra do
Espírito sobre o coração. Usada neste sentido, eu entendo isso como significando,
essa devoção de coração ao Senhor que é o efeito do ensino divino na alma.
Pode-se perguntar, então:
"Em que sentido você entende o termo piedade no texto?" Respondo-lhe
que entendo toda a obra do Espírito sobre a alma, os ensinamentos de Deus no
coração, tudo o que é geralmente transmitido pela expressão, religião
experimental, com todos os frutos e consequências que brotam daquele divino
trabalho. Assim, a piedade neste sentido tem uma significação muito abrangente.
Abrange toda a religião experimental; inclui toda a obra da graça do primeiro
ao último, desde os primeiros ensinamentos do Espírito no coração do novo
convertido, até os últimos aleluias do santo expirante. E não só isso, mas
compreende todos os frutos e manifestações externas da obra da graça sobre a
alma. Assim, neste sentido, a piedade tem uma significação muito extensa; e,
portanto, muitos ramos espirituais serão encontrados crescendo a partir deste
profundo e amplo caule.
1. "Piedade", portanto,
compreende, em primeiro lugar, aquela obra divina, que é chamada nas Escrituras
de arrependimento. Quais eram as principais características do ministério de
Paulo? Ele nos diz, que ele pregou "arrependimento para com Deus e a fé em
nosso Senhor Jesus Cristo" (Atos 20:21). Estes foram os dois pontos
principais que ele pregou. Onde quer que haja piedade no coração de um homem,
em outras palavras, onde quer que haja uma obra de graça na alma, deve haver
arrependimento.
O que é arrependimento? A convicção
do pecado produzida pela operação do Espírito sobre a consciência, penetrando a
alma com a culpa da transgressão, e criando autoaversão e autoaborrecimento por
causa dos males manifestados de nossos corações, lábios e vidas. Honestas
confissões de nossos pecados no escabelo da misericórdia; um coração
quebrantado e um espírito contrito; uma alma verdadeiramente penitente,
derretida, dissolvida e depositada em lágrimas de tristeza piedosa aos pés de
Cristo, acompanhará sempre esse arrependimento para a vida, que é o dom de
Jesus.
2. Ainda
- se a "piedade" compreende toda a obra da graça sobre o coração, ela
também deve incluir a fé em Cristo. De onde brota a fé em Cristo? É o dom de
Deus; como lemos: "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé, e isso
não vem de vós, é dom de Deus, não de obras, para que ninguém se glorie" (Ef
2: 8,9).
Mas,
quando começamos a crer em Cristo? Quando há primeiro alguma fé real em nosso
coração em direção ao seu precioso nome. Quando há alguma revelação espiritual dele
para a alma; quando há alguma descoberta divina de sua Pessoa, seu sangue, sua
justiça, seu amor, sua graça, sua glória - quando estes são trazidos com um
divino testemunho pela unção celestial do Espírito no coração, então a fé
brota. Logo que Jesus mostra seu rosto adorável e se manifesta na alma, a fé
brota para recebê-lo, abraçá-lo e trazê-lo ao coração em seu sangue expiatório,
amor moribundo e graça justificadora.
3. O
amor aos irmãos é também outra característica da "piedade". Pois por
isto "sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os
irmãos" (1 Jo 3:14). Se há fé em Cristo, deve haver amor a Cristo; um não
pode existir sem o outro. E se houver amor para aquele que gerou, deve haver
amor para aqueles que são gerados por ele. Se, pois, vimos Cristo pelos olhos
da fé, e essa visão tem atraído para si as afeições do nosso coração, devemos
amar a sua imagem onde quer que a vejamos; e o amor, o amor puro, precisa fluir
do nosso coração para essa imagem, embora as circunstâncias externas possam
diferir, ou o que quer que possa ser desagradável para o olho natural. Amamos a
Cristo, embora o vejamos debaixo dos trapos de um mendigo. As características
de Cristo são sempre adoráveis para
aqueles que conhecem Cristo, por mais desfigurados e degradados que possam ser
aos olhos do mundo; e não
podemos deixar de amá-las,
onde quer que as vejamos, visivelmente manifestadas no coração e na vida daqueles que são dele.
4. Se a
"piedade" significa a obra do Espírito sobre a alma, também deve
compreender o espírito de oração, que é o ramo principal do ensino divino. Adorar,
portanto, a Deus "em espírito e em verdade", aquele fluir de desejo
no coração, pleiteando com ele no escabelo da misericórdia, implorando a ele
que seja gracioso, com a fome, a sede, a respiração da alma, procurando sua
abençoada presença e poder manifestado, que brotam das operações secretas do
Espírito sobre o coração – tudo isto faz
parte dessa "piedade" que é "proveitosa para todas as
coisas".
5.
Também deve compreender, o significado da piedade, o temor do Senhor, que é
"o princípio da sabedoria". Pois, se "piedade" significa
toda a obra do Espírito sobre o coração, abraçará o princípio, assim como o fim;
incluirá em seus braços espaçosos toda a família vivificada de Deus; e,
portanto, precisa compreender os primeiros ensinamentos do Espírito ao suscitar
o temor divino, ao tornar a consciência viva e terna, ao imprimir à alma uma
piedosa reverência ao santo nome de Jeová e a imprimir sobre o coração um
sentimento de suas temíveis perfeições e temível Majestade.
6.
Também compreenderá tudo o que brota da obra do Espírito sobre a alma; abnegação,
mortificação do pecado, crucificação da carne, separação do mundo, morte para
as coisas do tempo e do sentido, vida de devoção ao Filho de Deus. Ela
compreenderá ainda os frutos da obra do Espírito sobre o coração, tais como
bondade, liberalidade aos irmãos, coração aberto e mão aberta; andando consistente
e devotadamente com nossa profissão, evitando a própria aparência do mal; não
dando lugar aos adversários de Cristo para que não tragamos um opróbrio sobre a
causa, mas vivendo como na presença do Senhor e com um sentido do seu olhar
continuamente sobre nós.
Em uma
palavra, como a "piedade" abrange toda a obra do Espírito sobre o
coração, desde seus primeiros ensinamentos e vivificantes até que a alma
finalmente sai em paz, com todos os frutos e graças que fluem dela, ela deve
ser uma expressão mais abrangente.
II.
Qual é o PODER da piedade. Mas, você vai observar, que o texto fala do poder da
piedade. A divindade, e o poder dela, então, são duas coisas distintas. Por
exemplo, o Senhor tem em misericórdia vivificado sua alma, e fez Cristo
precioso para o seu coração; ele tem em misericórdia feito isso para você, que
o salvará com uma salvação eterna. Mas, você está sempre sob o
"poder" desta piedade? Não devemos confessar, se falarmos honestamente,
que as épocas e ocasiões em que o poder é sentido em nossos corações são
comparativamente muito raras? Se Deus realmente implantou o Espírito abençoado
em seus corações; se seus corpos são os templos do Espírito Santo; se Jesus
habita em vocês, e é em vocês "a esperança da glória", nunca estão
destituídos de piedade. Mas, muitas vezes você está destituído do "poder
da piedade". Por exemplo -
1. Você
não está muitas vezes destituído do poder de se arrepender e confessar seu
pecado diante de Deus? A consciência não leva muitas vezes à vista uma
retrospectiva melancólica dos pensamentos carnais, dos desejos maus, das
imaginações vãs, das palavras tolas, dos discursos frívolos e de todo esse
catálogo de males, aquela conta enorme que o temor piedoso arquiva às vezes no nosso
interior, e que é visto em todos os nossos afastamentos da vida de Deus? Mas,
você é capaz de se arrepender? Você consegue se sentir cortado até o coração?
Você é capaz de chorar e suspirar porque a consciência traz contra você essa
longa acusação? Você pode sempre sentir sua alma derretida com tristeza por
causa disso? Vocês são sempre capazes de sentir contrição porque são
orgulhosos, mundanos, cobiçosos, por tudo o que é mau, tudo o que é odioso aos
olhos de Deus?
Mas,
então, há momentos e épocas em que o Senhor se agrada de trabalhar sobre a
consciência, mover e mexer a alma, tocar o coração com seu dedo gracioso -
então o arrependimento e a tristeza divina fluem. É conosco como com a rocha
que Moisés atingiu. Havia água na rocha; mas precisava ser batida com a vara
antes que as águas fluíssem para fora. Assim, possamos ter a graça do
arrependimento em nossas almas; mas exige que a mão divina golpeie a rocha,
para fazer brotar as águas da tristeza divina.
2.
Assim, com relação à fé em Jesus. Se o Senhor sempre nos abençoou com fé no
Senhor Jesus Cristo, nunca deixamos de crer nele. Mas, muitas vezes há uma
aparente suspensão dessa fé. E precisa do mesmo poder todo-poderoso que
primeiro o criou para extraí-lo em ação e exercício vivos. Aquele que possui fé
possui "piedade"; mas é somente quando a fé é atraída para olhar e
viver do Senhor Jesus Cristo, que temos o "poder da piedade".
3. Ainda,
se alguma vez amou a Jesus com um afeto puro; se alguma vez o sentiu próximo,
querido e precioso para sua alma, esse amor nunca pode ser perdido de seu
coração. Ele pode permanecer adormecido; pode não ser doce no exercício; mas lá
está. "Se alguém não ama o Senhor Jesus Cristo, seja anátema" (1 Cor
16:22). Você estaria sob esta maldição se o amor do Senhor Jesus Cristo morresse
em seu coração.
Mas, este amor está
muitas vezes dormindo. Quando a mãe, às vezes, vigia o berço e olha para seu
bebê dormindo com indizível afeição, a criança não sabe que a mãe está
observando seu sono; mas quando acorda, é capaz de sentir e devolver as
carícias de sua mãe. É assim com a alma, às vezes, quando o amor no coração é
como um bebê dormindo no berço. Mas, o bebê abre os olhos, e vê a mãe sorrindo
sobre ele, ele retorna os sorrisos, ela estende seus braços para abraçá-lo.
Assim, quando vemos o rosto de Jesus se inclinar para imprimir um beijo de
amor, ou deixar cair alguma doce palavra no coração - há um fluxo para ele de
amor e afeto - este é o poder do amor a Cristo.
4. Não é assim com o amor
aos irmãos? Não somos muitas vezes frios e mortos para com eles, senão muito
pior, mesmo para sentir inimizade contra eles? Talvez quando os vimos descendo
uma rua, fomos para o outro lado, para evitar encontrá-los. Tal é a aversão da
nossa mente carnal, às vezes até mesmo para com o mais altamente favorecido do
povo de Deus. Mas, sejamos trazidos à sua companhia; deixe a conversa girar sobre
as coisas espirituais; que falem dos sentimentos de sua alma; digam um pouco do
que sabem e sentem das coisas divinas; e temos experimentado uma medida do
mesmo, de uma só vez toda a frieza, reserva, suspeita e inimizade fogem como as
montanhas diante da presença do Senhor – e o amor, a união, a bondade, a
ternura e a simpatia cristã são doce e abençoadamente experimentadas. Este é o
poder do amor cristão.
5.
Assim é com a oração. Eu não sei como é com você; mas sei que a verdadeira
oração não está sob o meu comando. Não posso, Deus me livre, deixar de dobrar os
joelhos diante do trono da divina Majestade. Mas, posso ordenar desejos
espirituais e celestiais? Posso criar sentimentos de anseios e suspiros pela
sua presença manifestada? Posso produzir uma mente fixada em coisas eternas?
Posso despertar fome e sede pelo seu amor manifestado? Posso comandar essa fé
em Jesus, com a qual somente posso me aproximar dele? Posso me dar acesso à
presença do Rei dos reis e ter uma doce manifestação na minha alma que ele está
me ouvindo e me respondendo? Posso abrir uma porta para expressar meus desejos,
ou levantar uma confiança segura de que o Senhor os cumprirá? Eu não posso.
Mas, há
épocas e ocasiões em que o Senhor, o Espírito, tem prazer em respirar sobre o
coração do crente. A graça da oração não está mais morta em sua alma do que a
graça do arrependimento, ou a graça da fé, ou a graça do amor. Porém, as coisas
vivas, os atos espirituais e os derramamentos da alma, muitas vezes ficam dormentes
no seio do santo. Mas, quando o Senhor se agrada de nos dar um espírito de
oração; quando ele tem o prazer de nos ofuscar em alguma medida com sua
presença sentida e atrair os desejos de nossas almas para si mesmo, então orar
é de fato um doce prazer para a alma. E oramos, não porque seja nosso dever,
nem porque seja nosso privilégio; mas porque flui livremente no seio de uma
oração em que temos um Deus que ouve e que responde à oração. Este é o poder da
oração.
6.
Assim, no que diz respeito aos diferentes frutos pelos quais a
"piedade" é sempre acompanhada. Eu posso sair do mundo; eu posso me
separar de todo mal exterior; eu não posso ser enredado com os prazeres e
divertimentos com os quais os filhos dos homens agradam suas mentes vãs, Não
mais posso fazer muitas coisas que parecem ser o resultado e o fruto da obra do
Espírito sobre o meu coração; e, no entanto, nenhum poder divino, de onde somente
eles brotam corretamente, pode ter sido comunicado ao meu coração.
Mas,
quando, por outro lado, pelo poder de Deus descansando sobre mim, aplicando uma
parte de sua palavra, como "separa-me e serei separado", posso sair
do mundo; quando eu sou capaz de odiar cada pecado pelo funcionamento de uma
consciência terna; quando eu sou capaz de vencer as tentações pelo temor de
Deus como uma fonte de vida para afastar-me das armadilhas da morte; quando eu
sou habilitado assim pela graça de Deus e ensino, e sob a operação especial do
Espírito de Deus sobre o meu coração e consciência para andar como convém ao
cristão, então eu tenho o poder da piedade.
Assim,
há uma distinção sempre a ter em mente entre a "piedade" e o
"poder da piedade". Vocês que nascem de Deus, que têm os ensinamentos
de Deus em sua alma, nunca são destituídos de "piedade". Se você
fosse, você seria um povo ímpio. Mas, muitas vezes você está destituído do
"poder da piedade", e das doces manifestações, abençoadas vivificações
e preciosas descobertas do Espírito.
III.
Qual é a FORMA. Mas, há também uma coisa como a forma. Aqui chegamos à
distinção entre o povo de Deus e meros professantes vazios, que não têm nada da
vida e ensinamentos de Deus em suas almas. Vocês que são o povo de Deus muitas
vezes podem escrever coisas amargas contra si mesmos porque não sentem o poder
da piedade; mas, isso não prova que vocês não sejam pessoas piedosas. Se alguma
vez você teve arrependimento para a vida; se alguma vez creu no Senhor Jesus
Cristo; se alguma vez o sentiu precioso para a sua alma; se alguma vez amou os
irmãos com coração puro fervorosamente; se alguma vez orou com um coração
sincero e espiritualmente ensinado, você é um do povo piedoso, embora não sinta
frequentemente o poder das abençoadas operações e comunicações celestiais do
Espírito vital e divino no seu interior.
Mas, então, há aqueles que não
têm "piedade", nem "o poder" dela. Eles têm apenas a
"forma". E qual é a forma? Ora, uma forma é uma aparência exterior,
apenas a pretensão da coisa sem a realidade. E é isso que torna os últimos dias
tão "perigosos" - porque deve haver uma profissão tão ampla; que haverá
muitos que se aproximam da verdade, e que ainda não sejam participantes da
verdade; que se aproximam tão perto dos limites da piedade, que nunca foram
trazidos sobre a linha da piedade vital. É porque há tantos que têm a forma sem
o poder, que torna os últimos dias tempos perigosos para o povo de Deus, para
que não sejam enredados no mesmo laço e enganados por falsas pretensões.
Se este for o caso, então, esta
forma de piedade deve chegar muito perto da genuína. Não é perigoso para o
filho de Deus ver uma pessoa adorando ídolos. Não é perigoso para o filho de
Deus ver milhares se aglomerando em uma casa de reunião de mera adoração mística;
nem perigoso ver centenas aprovando uma mistura heterogênea de livre arbítrio e
graça livre; nem perigoso ouvir um homem pregando as doutrinas da graça, e
zombando da experiência sentida delas. Estes vários graus de erro e ilusão não
são perigosos para o povo de Deus, porque geralmente eles não são enganados por
eles.
Mas, quando duas coisas quase se
assemelham, há o perigo; para que o veneno não seja confundido com o remédio.
Assim, o perigo reside na profissão amplamente difundida da verdade
experimental, pois é a única que merece o nome de "piedade", para que
na ampla profissão de verdade experimental não nos enganemos, ou outros nos
enganem, pela forma sem o poder.
Parece-me que, neste dia, temos
uma ampla disseminação da verdade experimental. Esse livro muito lido que vejo
sobre a mesa, e sua ampla extensão em todas as direções, quero dizer o
"Padrão do Evangelho", traz consigo um grau de perigo, por causa de
sua ampla difusão, pode suscitar uma variedade de professantes que têm toda a
forma e pretensão da piedade experimental, mas nada sabem do poder interior,
dos ensinamentos e das operações do Espírito sobre o coração. Assim, observei,
nos últimos anos, o surgimento de pequenas causas da verdade experimental e a
abertura de púlpitos em muitas partes. Acredito que, quando chegar em casa,
ocuparei vinte e sete púlpitos dentro dessas treze semanas. E isto é perigoso
para o povo de Deus, para que eles não sejam enredados pela ampla profissão da
verdade experimental e o mero exterior da piedade vital, sem a possessão
sentida pelo coração de conhecimento espiritual e gozo dele.
Não que eu esteja falando, Deus me
livre, contra a extensão de obras experimentais; não que eu esteja falando,
Deus me livre, contra a abertura de novos lugares onde a verdade é pregada.
Não, eu me regozijo com isso, e diria com Moisés: "O Senhor Deus ...
faça-os mil vezes mais do que são, e abençoe-os como prometeu" (Deu 1:11).
Deus trabalha por esses meios. Mas, há um perigo que atende a eles, para que
Satanás não entre por esta porta para enganar muitos para sua própria queda, e
até mesmo enredar o povo de Deus em uma profissão além do que eles conhecem do
poder vital e experimental.
Mas, qual é a "forma"?
Uma forma é algo que chega muito perto, e contudo não é a coisa propriamente dita.
É algo como o que os pintores chamam de "figura leiga"; que eles usam
quando não têm um sujeito vivo para copiar. A figura leiga representa um homem
com todos os membros, tendões e músculos; mas a vida, a respiração e o
movimento estão faltando. Por exemplo:
1. Existe a forma de
arrependimento. Uma pessoa pode professar ser muito pesarosa, e ter grande
convicção do pecado, sentir culpa por causa de suas transgressões; e ainda não
ter aquele poder vivificante do Espírito sobre a sua alma produzindo verdadeira
contrição e verdadeiro arrependimento. Pode ser apenas o funcionamento da
consciência natural, e não esse ensinamento peculiar de Deus, o Espírito no
coração de um pecador, pelo qual ele é quebrantado em dor piedosa e profunda
penitência de coração perante o Senhor.
2. Assim, com respeito à fé no
Senhor Jesus Cristo. Há uma fé natural em Cristo, bem como uma fé espiritual.
Um homem pode ter ouvido falar tanto de Jesus Cristo sob ministros que o
exaltam muito, falar de sua Pessoa, proclamar seu sangue, e sobre sua justiça
justificadora, que ela pensa que tem fé em Cristo, porque ouviu tanto sobre Ele;
e ainda estar todo o tempo sem fé viva, genuína. Este dom especial e obra de
Deus sobre a alma pode ainda estar faltando fatalmente.
3. Assim, no que diz respeito ao
amor ao Senhor Jesus Cristo. Pode haver um amor natural por ele. Um homem pode
ter ouvido e lido tanto de sua bondade aos pecadores, e tais descrições
brilhantes da beleza de sua Pessoa, que ele pode ter se apaixonado por ele.
Assim como muitos têm seus crucifixos e imagens de Cristo, e os adorando sentem
o amor natural porque supõem que ele está representado neles; assim o homem
pode ter ouvido tanto sobre o amor de Cristo, para que ele possa ter seus afetos
carnais despertados, e confundi-los com o amor puro que é derramado no coração
pelo Espírito Santo.
4.
Portanto, podemos ter algo que nos atrai para o povo do Senhor. Podemos sentir
que há uma amabilidade em relação a eles; podemos acreditar que eles são a
família viva do Senhor, e desejamos ser como eles; para falar como falam; e
isto podemos confundir por amor aos irmãos; enquanto todo o tempo o nosso
coração pode estar completamente destituído daquele verdadeiro amor aos irmãos,
o fruto e o efeito da obra do Espírito sobre a alma.
5.
Assim, com relação ao dom da oração. Podemos parecer a nós mesmos, e àqueles
que nos ouvem, tão simples, tão fervorosos, tão sérios, tão humildes, que
certamente deve ser uma oração espiritual. E, no entanto, muitas vezes podemos
confundir um mero dom natural com a graça especial de Deus, através da qual
somos capazes de derramar nosso coração diante dele.
6.
Portanto, podemos ser capazes, pelo que sentimos sob as convicções da
consciência natural, de viver uma vida de separação do mundo, de vencer o
pecado quando não for muito forte, de andar em conformidade com os mandamentos e
as ordenanças de Deus; e ainda estar destituídos do poder vital dos
ensinamentos e operações do Espírito, sem o qual todas essas coisas não passam
de convulsões de um cadáver sob a ação de uma bateria elétrica. Como Herodes,
um homem pode fazer muitas coisas, e ainda estar absolutamente desprovido do
poder vital da piedade trazido ao coração pelo Espírito de Deus.
IV. O
que é negar o Poder. "Bem", alguns podem dizer, "se for esse o
caso, como posso saber que não estou completamente enganado?" "Se um
homem pode ir tão perto, e ainda não ser um caráter real, que provas tenho
eu", diz algum pobre tentado filho de Deus, "que eu não estou
enganado?” Agora o que é dito dessas pessoas? Eles negam o poder. Você fez
isso?
Mas, o
que é "negar o poder?" O poder pode ser negado de várias maneiras.
1. É negado por alguns
publicamente e abertamente. Há alguns pregadores que professam as doutrinas da
verdade, que reduzem toda a experiência, e dizem: "não são senão sentimentos".
Isso é negar o poder da piedade. Se não temos sentimentos, estou muito certo de
que o Espírito de Deus não fez de nossos corpos seu templo. Se nunca tivemos uma
meditação doce, uma fé viva, um amor divino, uma espiritualidade, e afeições
celestiais, tenho certeza de que o Espírito de Deus nunca abençoou nossa alma. E
ainda, se eu estiver sem sentimentos - um sentimento de tristeza pelo pecado,
um sentimento de fé em relação a Jesus, um sentimento de amor pelo seu nome, um
sentimento de amor para com os irmãos; se estamos sem esses sentimentos
graciosos, estamos mortos como pedras sem qualquer possessão da vida de Deus.
De modo que, reduzir a experiência e dizer, "não é nada além de uma
parcela de sentimentos", isto é negar o "poder da piedade".
Vocês observarão que esses homens
não negam a piedade; eles não ousam fazer isso; mas eles negam o poder dela no
coração de um santo, sob a operação do Espírito. Cada zombaria e sarcasmo, cada
discurso provocante lançado contra devoções e sentimentos apenas manifesta o
que é o coração de um homem; ele está abrindo uma porta através da qual você
pode olhar de fato para os segredos de seu peito, e lá vê a serpente enrolada e
sibilando inimizade contra a verdade de Deus e contra seu povo vivo.
2. Outros o negam por sua vida e
conversação. Se um homem anda nos desejos da carne; se ele se envolver em
imundícia ou embriaguez; se ele é totalmente entregue ao poder do orgulho e da
cobiça, nega o poder da piedade por suas ações, tanto quanto o anterior o nega
por suas palavras.
Ambos negam o poder da piedade,
um exteriormente em palavra, o outro em ação.
3. Outros, tendo mais respeito à
consciência, não podem ir tão longe de inimizade externa; contudo eles também o
negam internamente. Por exemplo, não há aqueles que secretamente pensam que não
há necessidade absoluta de que a alma seja esvaziada e despojada e de ter uma
revelação de Cristo; e que eles podem ser salvos sem tal experiência do amargo
e do doce, das tristezas e das alegrias das quais o povo do Senhor fala? E
esses pensamentos secretos não são muito fortalecidos e fomentados por aqueles
ministros que professam pregar a Cristo como distintos e muito superiores à
experiência? O que é mais comum do que uma linguagem como esta do púlpito -
"Não posso suportar ouvir as pessoas falarem do seu cair e levantar, eles olham
para si mesmos; por que não saem de si mesmos e olham para um Jesus precioso?”
Eu quero saber se isso não está
negando interiormente o poder? Eles não ousam dizer que não existe tal coisa; mas
falam de olhar para fora de si para Cristo, como se não houvesse experiência interior
de Cristo, nenhuma visitação de sua presença e amor; e como se toda religião
consistisse em um conhecimento seco e especulativo, sem um grão interior de
vida e sentimento. Sua conversa de olhar para Cristo é muito plausível e sutil;
mas seu objetivo real é negar o poder da piedade vital no coração de um santo.
(Nota do tradutor: Há muito disto
ocorrendo em nossos dias, porque, como profetizado nas Escrituras são os dias
difíceis sobre os quais o autor discorre. Então, é comum de ser visto por toda
parte a pregação deste evangelho que aponta somente para a mística de se olhar
para Cristo para se obter coisas e posições mundanas, e pouco ou nada daquela
vida santificada que é mediante a prática da Palavra de Deus).
4. Mas, há outros que negam
virtualmente e na verdade pela não-posse da piedade. Por exemplo, há muitos que
dizem que aprovam, e que não há nada como a pregação experimental; eles se
aglomeram e lotam uma capela para ouvir a experiência do povo de Deus; e ainda
assim eles praticamente e na verdade negam o poder da piedade pela não-posse
dela em seus corações. Eles têm se imbuído de tal conhecimento do plano de
experiência de constantemente ouvir isso pregado, e eles estão tão certos de
que é a verdade, que eles não ouvirão nada mais, e ainda assim o poder vital
nunca chegou à sua consciência.
V. A exortação, "destes afasta-te."
Mas, como nos afastamos deles? Nós nos afastamos deles quando não sentimos
nenhuma união com eles. Pensei, às vezes, que poderíamos dividir a família
vivificada de Deus em três classes. Há aqueles cuja religião é recomendada ao
nosso julgamento; há aqueles cuja religião é recomendada à nossa consciência; e
há aqueles cuja religião é recomendada ao nosso julgamento, consciência e
afeições. Você não consentiu em conversar com pessoas que professam piedade e que
há alguns cuja religião você recebe em seu julgamento? Vocês não ousam dizer
que não têm temor de Deus - nem que o que eles lhes disseram sobre as
transigências de Deus sobre sua alma não é genuíno. Mas, ainda o que dizem não
entra muito em sua consciência.
Mais uma vez; há outros que falam
dos negócios de Deus em sua alma tão claramente, tão distintamente e
inegavelmente, que o que eles dizem é ao mesmo tempo recomendado à nossa
consciência; mas ainda há algo faltando; não acende uma chama secreta de amor
interior, nem se apodera de nossas afeições. E depois há outros cuja religião
não é meramente recomendada ao nosso juízo e consciência, mas ao nosso próprio
coração e alma. Estes imediatamente saltam em nossas afeições; nós os amamos, e
nos unimos a eles, e sentimos uma união vital da alma com eles.
Agora, se conseguimos apoderar-nos
das pessoas desta forma tríplice, ou em qualquer delas, não devemos nos
"desviar" delas. Nenhum deles nega o poder da piedade. Se podemos
recebê-los em nosso julgamento, não é tão bom como recebê-los em nossa
consciência; e recebê-los em nossa consciência, não é tão bom como recebê-los
em nossas afeições. Mas, se podemos levá-los ao nosso julgamento, não devemos
"nos afastar deles”. Mas há aqueles que não podemos nem mesmo entrar em
nosso julgamento; sua religião parece ser nada além de engano e ilusão. Não
podemos observar a mão de Deus neles; não podemos ver quaisquer marcas
distintas do Espírito sobre eles. Destes, somos chamados a
"desviar-nos".
Mas, "nos desviamos"
daqueles que negam o poder da piedade de várias maneiras.
1. Primeiro, "nos
desviamos" deles em relação à conversa com eles. Se as pessoas nos falam
sobre religião, e falamos em tom de aprovação para elas, enquanto há algo em
nosso coração que não acredita que elas são vitalmente participantes da graça,
nós somos apenas hipócritas; estamos sancionando o que sabemos em nossa
consciência que não aprovamos. Se, por isso, qualquer pessoa falar com você
sobre as coisas divinas, e você não pode recebê-lo em seu julgamento - se você
deixar cair qualquer palavra que pareça sancionar a religião do homem, você
está rebocando com argamassa não temperada. A palavra da verdade nos ordena
"afasta-te"; isto é, não tenha tal conversa com ele; não lhe dê falsa
esperança; não reforce suas expectativas vãs.
2. Em segundo lugar, o preceito
implica que você deve "se afastar" de recebê-lo como um membro da
igreja. Se um homem ou uma mulher vier diante de você e desejar ser recebido em
sua igreja - e você não pode em sua consciência acreditar que a obra de Deus
com toda a sua profissão é iniciada sobre ele, você deve "se afastar"
de recebê-lo como membro.
3. Mas você também é ordenado a se
"desviar" daqueles que negam o poder da piedade em relação à sua
companhia. A menos que você esteja persuadido em seu julgamento, ou em sua
consciência, ou em suas afeições, de que eles são pessoas vivas de Deus, você deve
"afastar-se" deles para não andar com eles em aparente comunhão e
união. Você não pode, de fato, como o apóstolo diz 1 Cor 5:10 sair
completamente do mundo; nem desejamos ser de outra maneira do que corteses para
com aqueles que se dirigem a nós em termos de civilidade e cortesia. Mas, é
outra coisa endossar sua religião, e selá-la com nossa aprovação, por livre ou
frequente associação com eles. Para mim, se eu disser uma palavra por meio da
qual exprimo a união àqueles que não recebo no meu coração, sinto que estou
dizendo a Deus e ao homem uma mentira deliberada, indo contra a convicção da
minha consciência, e fazendo o que eu espero que Deus possa sempre me impedir
de fazer.
Mas, então, por outro lado,
cortesia, bondade e civilidade são devidas a todos. E se nos
"afastamos" de qualquer um porque não somos capazes de tomá-los em
nosso seio e não podemos, consistentemente com uma boa consciência, fomentar
suas esperanças vãs e reforçar suas expectativas ilusórias, isto não é razão
para que devamos tratá-los com desprezo. A palavra da verdade nos ordena a
"honrar a todos os homens", e ao povo de Deus "a revestir-se de
afeições de misericórdia, bondade, humildade de espírito, mansidão e
paciência".
Agora, que testemunho temos nós
que desejamos temer o nome de Deus, e que temos algo mais do que uma
"forma de piedade"? Temos uma forma; isso é muito claro. Mas, temos
algum testemunho vivo na nossa consciência de que temos algo mais do que a
forma? Alguma vez sentimos o poder? Não temos testemunho de que somos
possuidores de piedade, a menos que tenhamos sentido o seu poder.
Mas, há filhos de Deus, pode
haver alguns aqui presentes este dia que estão agora, e têm estado por semanas,
ou mesmo meses, sem o poder de sentimento; e talvez eles estejam escrevendo
coisas amargas contra si mesmos, porque não estão sob os sentimentos vivos que
antes desfrutavam. Mas, desde que você o sentiu uma vez, você negou sempre o poder,
ou com toda sua escuridão, você o nega agora? Não é isso o sentimento de sua
alma? "Como eu era como nos meses passados, como nos dias em que Deus me
preservou, quando a sua vela brilhou sobre a minha cabeça, e quando pela sua
luz eu andava pelas trevas" (Jó 29: 2,3). Não é esta a linguagem do seu
coração? “Que o Senhor me abençoasse! Revivesse seu trabalho em meu coração, e
me desse vida e poder, para me permitir acreditar em seu nome! Que ele
visitasse minha alma com alguma descoberta de seu amor e me tirasse desse
estado sombrio em que estou tão tristemente afundado!”
Estes são os sentimentos de uma
alma viva. Mas, aqueles que têm apenas a "forma de piedade", negam
todos esses exercícios. Eles não querem avivamentos; eles não estão procurando qualquer
manifestação; eles nunca imploram ao Senhor para olhar para baixo sobre eles e
abençoá-los; eles estão satisfeitos com uma religião externa; eles estão
satisfeitos com a mera forma. Se eles podem enganar a si mesmos e uns aos
outros, é suficiente. Mas, a alma vivente, que tem o temor do Deus vivo em seu coração,
não está tão satisfeita; ele quer manifestações vivas da presença de Deus,
comunicações doces da misericórdia de Deus e as abençoadoras operações do
Espírito sobre o seu coração. Se não os tem, sente que nada tem.
Assim, enquanto este texto corta em
mil pedaços aqueles que têm apenas a forma, não fere o pobre filho enlutado de
Deus que está suspirando e chorando pelo poder. Cada suspiro, grito e gemido
que ele tem por causa de seu estado sombrio e morto são as muitas evidências
vivas desse poder. De onde surgiram seus suspiros? O que faz você chorar em sua
cama? De onde brotam aqueles sopros em sua alma enquanto você se senta ao lado
da lareira esperando pela presença do Senhor – para que ele fale à sua alma e
se manifeste a você? Porque, eles brotam desta convicção profundamente forjada
em seu coração, que nada, senão o poder de Deus pode alcançar sua alma.
Agora estas são as pessoas que
devemos receber no nosso seio, aqueles que têm piedade, e aqueles que têm o
poder da piedade. Mas, aqueles que o negam, seja em palavra, seja em ação; seja
virtualmente por sua vida e conversa, ou interiormente e secretamente - dos
tais nós devemos nos "desviar". Isso pode nos trazer um mau nome; isso
pode nos carregar com ódio e opróbrio; isso muitas vezes pode ser muito
prejudicial para os nossos sentimentos; mas nós, no final, colheremos o
benefício disso, tendo o testemunho secreto de uma consciência honesta e os
sorrisos de um Deus que a aprova.
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